Método Doman, quanto tempo esperar entre sessões?

Areia rosa escorrendo da parte superior de uma ampulheta para a parte inferior. Texto escrito: Intervalo entre sessões 5 minutos.

Uma das perguntas mais frequentes que recebo sobre a execução dos programas do Método Doman de organização neurológica é: qual o melhor intervalo entre sessões ou quanto tempo esperar entre sessões de um programa?

Para responder isso, devo antes oferecer alguns esclarecimentos:

De quais programas você está falando, que é preciso esperar um tempo entre sessões?

Consideramos os programas de estimulação do desenvolvimento de inteligência abaixo, para aplicação deste intervalo entre sessões:

  • Programa de Leitura,
  • Programa de Matemática,
  • Bits ou pedaços de Inteligência,
  • Programa de Conhecimentos.

Todos estes são programs utilizados pelo Método Doman e também aplicados nos Método Véras, Padovan dentre outros.

Esclarecemos que os programas em nossa forma de ver não devem ser começados todos juntos. Recomendamos que a família comece um programa de cada vez, justamente para se acostumar com o ritmo. Assim que conseguir pegar prática, por 1 ou 2 semanas ou até 1 mês, de como se sentir confortável, comece o programa seguinte.

Quais os fundamentos deste tempo que devo esperar entre as sessões de um programa?

Estes métodos usam os princípios que hoje são conhecidos como neuro-aprendizagem, em que os resultados são multiplicados com a repetição das informações ao longo do dia.

A princípio, por volta dos anos 50 do século passado, quando a equipe de Filadélfia começou a fazer várias descobertas e organizá-las no método que posteriormente seria conhecido como Método Doman. Os pesquisadores observaram que a repetição dos conteúdos ao longo do dia era muito, muito, mas muito importante para a ajudar a aprendizagem.

Inicialmente, as primeiras edições dos livros falavam em esperar 30 minutos entre cada uma das sessões. Conheça alguns livros dos programas (os links apontam para a Amazon, onde você pode comprar os livros com facilidade):

Livro Como ensinar seu bebê a ler, de Glenn Doman:

Como ensinar matemática a seu bebê, livro de Glenn Doman

Livro O que fazer, de Glenn Doman:

Posteriormente, edições mais recentes falam em aguardar 15 minutos entre cada uma das sessões de cada um dos programas.

Qual o melhor intervalo entre sessões?

Recentemente, em uma live em 12 de setembro de 2020 de Spencer Doman, Doman Internacional, eu tive o privilégio de perguntar para ele qual seria o melhor tempo para nós pais aguardarmos entre a exibição de uma sessão de um programa e a próxima sessão deste programa.

Para quem não conhece Spencer Doman, ele é neto de Glenn Doman, sua mãe Rosalind aprendeu com o próprio Glenn a estimular o desenvolvimento de seus 4 filhos, sendo que hoje Rosalind Doman é Diretora Clínica de Doman Internacional e Spencer Doman é o diretor de Inovação.

Pois foi o próprio Spencer Doman que me respondeu que, apesar dos livros apresentarem tempos maiores, eles tem levado em consideração a dificuldade dos pais de espassarem tanto as sessões, e assim, avaliando o desenvolvimento de milhares de crianças. Atualmente em 2020, eles sugerem o intervalo de 5 minutos entre cada sessão para cada programa.

Enfim, se você faz uma sessão do programa de Leitura às 9:00h da manhã, às 9:05h já pode fazer uma nova sessão do Programa de Leitura. Do mesmo modo, se você está fazendo também o programa de matemática, pode intercalar as sessões com o programa de leitura. Igualmente estes dois programas podem ser intercalados com os programas de bits ou pedaços de inteligência e com o programa de conhecimentos.

Exemplo de intervalos entre sessões:

Assim, uma manhã de seu programa para uma criança que gosta de animais poderia incluir uma categoria de bits de raças de cães, bandeiras dos países e personagens históricos ficar da seguinte forma:

9:00h Programa de Leitura – Nomes

9:01h Programa de Matemática – Quantidades

9:03h Bits ou Pedaços de Inteligência – Raças de Cães

9:05h Programa de Leitura – Partes do corpo

9:06h Programa de matemática – outro grupo de Quantidades

9:08h Bits ou Pedaços de Inteligência – Bandeiras

9:10h Programa de Leitura – nomes de Animais

9:11h Programa de Matemática – primeiro grupo de Quantidades novamente

9:13h Bits ou Pedaços de Inteligência – Personagens Históricos

9:15h Programa de Leitura – Nomes

9:16h Programa de Matemática – segundo grupo de Quantidades

9:18h Bits ou Pedaços de Inteligência – Raças de Cães

9:20h Programa de Leitura – Partes do corpo

9:21h Programa de matemática – primeiro grupo de Quantidades

9:23h Bits ou Pedaços de Inteligência – Bandeiras

9:25h Programa de Leitura – nomes de Animais

9:26h Programa de Matemática – segundo grupo de Quantidades

9:30h Bits ou Pedaços de Inteligência – Personagens Históricos

Para saber como é a fase 1 – Palavras simples do Programa de Leitura, veja esta postagem de nosso blog: https://neuroganho.com.br/blog/2019/01/11/como-ensinar-seu-bebe-a-ler-sobre-o-livro-de-glenn-doman-etapa-1-palavras-simples/

À medida que você for evoluindo com sua criança, novos programas serão adicionados à planilha acima, como 1 jogo de pares de palavras para o program de Leitura e 1 jogo de equações para o programa de matemática.

Por isso recomendamos iniciar cada programa quando estiver confortável no programa anterior.

E os programas motores?

Já para os programas motores (arrastar, engatinhar, pendurar, braquear, caminhar e correr) a lógica é inversa, começamos com curtas sessões muitas vezes por dia de forma que com o passar do tempo a criança consiga ir aumentando as distancias percorridas e conseguimos enfim 1 sessão no dia cumprindo a meta. Mas isso é assunto para outra postagem…

Síndrome de Down e Deficiência Intelectual

Criança com Síndrome de Down e sua mãe

É uma associação comum, infelizmente. Mas não é verdadeira. Crianças e jovens com síndrome de Down não precisam ter deficiência intelectual. Assim como já é um consenso de que as crianças com Síndrome de Down precisam de estimulação precoce para o desenvolvimento global, no desenvolvimento intelectual acontece a mesma coisa.

Nunca se deve comparar uma criança com a outra e quando isso acontece, frequentemente as crianças com Síndrome de Down passam a ser consideradas defasadas e até mesmo com deficiência intelectual.

Temos exemplos de jovens com Síndrome de Down incríveis, que se formaram em Universidades, que fizeram pós graduação, que fizeram até mesmo Mestrado. Tem uma vida plena, com realização profissional, amigos, independência inclusive financeira, tudo o que tem direito como ser humano.

Ana Carolina Fruit é um exemplo. Quando eu estava começando o programa de Organização Neurológica nos Institutos Véras no Rio, ela estava tendo alta para a vida! Com 9 anos ela tinha dado uma aula sobre dança, com direito a teoria e prática para uma banca e respondendo a perguntas que foram feitas para ela. Daquele momento em diante ela seguiu o caminho de seu coração, se formando em Edução Física e depois fazendo mestrado em dança.

Qual o segredo desta jovem?

Assim como Ana Carolina Fruit, outros jovens com Síndrome de Down foram estimulados. Felizmente hoje já é um consenso que crianças com síndrome de Down devem receber estimulação precoce. Mas muitos se limitam à estimulação física motora e sensorial. Me entendam por favor, apoio e aprecio esta estimulação, graças à Deus temos profissionais maravilhosos que se empenham em fazer.

Mas o fator decisivo para o desenvolvimento de Ana Carolina foi a estimulação intelectual que sua mãe fez com ela, juntamente com o programa motor.

Tendo conhecido o trabalho dos Institutos Véras, a mãe de Ana Carolina recebeu orientações e começou a estimular o desenvolvimento intelectual da própria filha em casa, seguindo as indicações do Programa de Leitura prescrito pelos Institutos Véras. Mais detalhes do programa de Leitura neste link.

Mas que trabalho é este dos Institutos Véras? É uma linda história. Depois do acidente que ocorreu com o filho de Dr. Raimundo Véras, ele fez uma promessa, que se conseguisse salvar a vida do filho, ele iria ajudar outras famílias com os problemas de seus filhos. Assim ele fez, conheceu Glenn Doman no IAHP e conseguiu salvar seu filho usando as terapias que eles aplicavam nas crianças com lesão cerebral lá em Philadelphia. E Dr. Véras cumpriu a promessa. Trouxe para o Brasil a metodologia de lá e começou a orientar as famílias a como estimular o desenvolvimento de suas crianças com lesão cerebral. Esse método de desenvolvimento ficou conhecido como Método Doman.

O que isso tem a ver com a Síndrome de Down?

E o que isso tem a ver com a Síndrome de Down? O contador de Dr. Raimundo Véras, vendo os resultados de sucesso obtidos em crianças com lesão cerebral, verdadeiros “milagres”, pediu que ele o ajudasse com seu filho. Este filho era uma criança com Síndrome de Down. Lembrem-se que nesta época distante, a síndrome de Down era associada a o que chamavam na época de retardamento mental. Mas, seguindo as orientações do Dr. Véras, a esposa do contador começou a estimular a criança e ficaram maravilhados com os resultados. Assim, esta abordagem ficou conhecida como Método Véras. Não vou contar tudo aqui para não roubar de vocês a oportunidade de lerem um livro inspirador, que vocês podem comprar por este link ou clicando na imagem abaixo.

Resultados surpreendentes: Crianças com Síndrome de Down sem deficiência intelectual.

O resultado foi tão surpreendente para todos, que Dr Véras apresentou seus resultados para a equipe do IAHP sendo orientado por Glenn Doman a testar isso com outras 100 crianças com a Síndrome. Quem o acompanhou disse que ele não testou com 100 crianças, dizem que ele testou com 200 crianças com Síndrome de Down, e conseguiram repetir este resultado maravilhoso com a grande maioria delas, cujos pais seguiram à risca o programa de estimulação para a Leitura.

A partir daí, nos Estados Unidos e em outros países que implantaram o programa, estas crianças deixaram de ser conhecidas como crianças com síndrome de Down, e estas crianças que conseguiram desenvolver seus potenciais mesmo tendo uma alteração genética, passaram a ser conhecidas como Crianças Véras!

Quer ver um estudo cientifico da Universidade do Porto que confirma estas afirmações? Resumo nesta postagem: https://neuroganho.com.br/blog/2020/06/05/sindrome-de-down-veras-e-doman/

Que tal começar com sua criança?

Se você tem uma criança com Síndrome de Down e deseja que ela possa ser feliz, desenvolver seus potenciais se tornando uma pessoa apta a colaborar com suas habilidades, te convido a conhecer a plataforma Neuroganho, nossas ferramentas como o programa de estimulação para a Leitura que oferecemos para pais, mães e familiares de crianças e jovens com síndrome de Down, para desenvolverem o potencial de suas crianças.

Vamos lá? O que você está esperando?

Sua criança tem outra deficiência intelectual?

Para minha alegria, estes profissionais maravilhosos do IAHP criaram esta forma de estimulação em casa, feita para que mães e famílias possam estimular o desenvolvimento de sua criança, estimulando o aprendizado da leitura, da matemática e de todo o conhecimento humano, como algumas das ferramentas utilizadas para fazer com que a organização neurológica aconteça.

Os métodos que compartilham esta filosofia são conhecidos como Método Doman, Método Véras, Método Filadélfia dentre outros. Então não espere, experimente com sua criança. Clique no botão acima.

Para meu filho autista, este programa foi maravilhoso, inclusive trouxe a fala aos 6 anos e meio, mas isso é história para um outro post…

Epigenética: Passo 1 do Autismo

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Nesta semana do autismo em 2019, Dra. Tielle Machado nos presenteou com lives falando de seus estudos sobre o Autismo. Nós do Neuroganho somos fãs do trabalho dela e comungamos dos mesmos entendimentos sobre como o Autismo deve ser abordado.

Assim, uma vez que o conteúdo foi muito significativo, mas a live não está mais disponível para ser assistida, tomamos a liberdade de compartilhar este breve resumo que fizemos de cada um dos passos:

Passos para desvendar o quebra-cabeças não só do autismo, mas também de outras síndromes que tem comprometimentos neurológicos:

Passo 1: Genética é importante mas epigenética é mais importante!

O que é epigenética?

Epigenética é a possibilidade de “ligar” ou “desligar” um gene através de intervenções ambientais: A alimentação, a exposição à poluição, o uso de drogas, a prática de exercícios, dentre outros fatores ambientais podem servir para alterar algumas funções dos genes, deixando “marcas epigenéticas”.

Exemplo prático: Alguém que não tem diabetes na família, se comer só carboidratos, pode ficar diabético. Da mesma forma, um diabético que fizer a dieta com restrição de carboidratos, cetogenica, lowcarb ou alguma outra pode ter muitos ganhos até baixar sua glicose.

Alterações na dieta funcionam em muitos casos de pessoas com autismo e outras síndromes que tem comprometimento neurológico. Cortando alguns alimentos, a melhora é perceptível.

Aqui aproveitamos para agregar os conhecimentos dos Institutos Véras, responsáveis no Brasil pela avaliação das crianças e jovens, e prescrição do programa de organização neurológica. Pelo programa de organização neurológica, estas intervenções incluem retirar da alimentação tudo que inflama o cérebro: glutamato, adoçantes artificiais, corantes artificiais, aromatizantes artificiais, conservantes artificiais, etc

Aqui também aproveito para agregar outros conhecimentos da medicina ortomolecular / integrativa: substituir panelas de alumínio para quem tem elevação de alumínio,  observar se há ingestão de chumbo, arsênico, formaldeído e todos os outros químicos neurotóxicos. Se possível suspender produtos OGM e com agrotóxicos.

Estes pontos são tão importantes que retornam no passo 4: no controle da neuro-inflamação.

Aqui faço uma homenagem aos pais, mães e familiares de crianças e jovens com autismo e outros comprometimentos neurológicos. Seu trabalho de detetive para juntar as peças do quebra-cabeças é fundamental para o sucesso do desenvolvimento de sua criança.

Nas próximas postagens abordaremos cada um dos passos seguintes para ganho de qualidade de vida das pessoas com autismo e seus familiares.

Lembramos que qualquer intervenção  nutricional deve ser acompanhada por profissional habilitado responsável. Esta postagem é apenas informativa e não substitui qualquer tratamento, aconselhamento ou acompanhamento por profissional qualificado. Procure seu profissional de confiança.