Como as crianças aprendem de verdade?

O que a neurociência comprovou, como as crianças aprendem e o que isso muda para o desenvolvimento do seu filho.

Imagem de uma criança olhando para um mapa na parede que tem bandeirinhas dos países colocadas.

Resumo: A neurociência comprovou que a inteligência não é herdada, ela é construída.

Crianças pequenas têm uma capacidade de aprendizagem que supera qualquer fase da vida adulta.
Quanto menor a criança, maior a capacidade de aprender.

Neste artigo, você vai entender por que isso acontece no cérebro, o que estimula esse aprendizado de verdade, e como aplicar em casa a partir de hoje.

Entender como as crianças aprendem de verdade mudou a forma como olho para o desenvolvimento do meu filho — e pode mudar a sua também.

Durante décadas, especialistas disseram às mães que havia um limite para o quanto o filho poderia aprender.

O potencial de cada criança já vinha determinado.
O cérebro era fixo e estático.
E que certas crianças, por seu diagnóstico, simplesmente “não chegariam lá.”

Se você é mãe de uma criança com desenvolvimento atípico, provavelmente ouviu isso mais de uma vez — em consultório, em reunião de escola, em grupos de terapia.

E se você sentiu que aquilo não estava certo?
Que seu filho era capaz de mais?

Você tinha razão. E hoje a ciência prova isso.

O que ensinaram sobre como as crianças aprendem, e onde erraram

A teoria da inteligência herdada

Por décadas, uma corrente dominante na pedagogia sustentava que a inteligência era definida geneticamente.

Se seus pais tinham baixa instrução, você tria um limite para aprender.
Você nascia com um “teto” intelectual, e não havia muito o que fazer além de trabalhar dentro desse limite.

Essa visão influenciou práticas clínicas, educacionais e familiares por gerações inteiras. Crianças eram avaliadas, rotuladas e limitadas com base nessa crença.

A teoria da tabula rasa

Outra corrente dizia o oposto: que todo ser humano nasce completamente vazio, sem nenhuma predisposição, sem nenhum recurso neurológico prévio.

Essa teoria criou um paradoxo curioso: ao mesmo tempo que “zerava” o ponto de partida, ainda não explicava como o aprendizado realmente acontecia.

Na prática, também não gerava ferramentas para estimulá-lo.

O que as duas tinham em comum?

Apesar de se contradizerem em quase tudo, essas correntes compartilhavam uma conclusão silenciosa que raramente era dita em voz alta:

A inteligência não se aprende de verdade.

Ela está lá, ou não está.

Esse consenso informal travou gerações de profissionais que poderiam ter estimulado crianças. Sabe porque isso é triste e ao mesmo tempo importante?
Porque isso pode ter travado mães que poderiam ter agido.

A boa notícia é que essa visão estava errada.

Completamente errada.

O que a neurociência do século XXI comprovou sobre a

Neuroplasticidade e como as crianças aprendem

Descobriram que o cérebro muda durante toda a vida

Até os anos 1990, a comunidade científica acreditava que o cérebro adulto era imutável.

Que os neurônios que você tinha eram os que ficavam.
Que conexões perdidas não se reconstituíam.

Hoje sabemos que isso é falso.

Neuroplasticidade Neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se reorganizar, criar novas conexões e adaptar sua estrutura em resposta ao aprendizado e à experiência.** Ela existe em bebês, em crianças, em adultos e em idosos — com intensidades diferentes, mas existe em todos. Isso significa que seu filho pode criar novas conexões durante toda a vida, desde que seja feito do jeito certo!

Ela existe em bebês, em crianças, em adultos e em idosos, com intensidades diferentes, mas existe em todos.

Sempre de acordo com os estímulos que são recebidos

Isso significa que o cérebro não é um computador com hardware fixo.
É um órgão vivo, que se transforma de acordo com o que você faz com ele.

Neurogênese — novos neurônios são criados todos os dias

Ainda mais surpreendente: durante anos acreditou-se que nascemos com todos os neurônios que vamos ter, e só os perdemos ao longo da vida.

Errado também.

A neurociência comprovou como as crianças aprendem: que o hipocampo (região central para memória e aprendizado), produz novos neurônios continuamente.

Esse processo se chama **neurogênese**, e você sabe como ele pode acontecer?
Como as crianças aprendem no dia a dia?
Ele é influenciado diretamente por estímulos, exercício, sono, alimentação e ambiente.

Seu filho não está apenas “usando” o cérebro que tem.

Ele está construindo um novo a cada dia.

Neuroaprendizagem — como as conexões e redes se formam

A **neuroaprendizagem** estuda como o cérebro processa e fixa informações. E uma das descobertas mais sólidas da área é simples:

Conexões Neurológicas se fortalecem pela repetição.

Quando uma criança vê, ouve ou experimenta algo repetidamente, os neurônios envolvidos naquele circuito se conectam com mais força. Sabe o que isso significa? Que elas simplesmente fazem novas conexões, de acordo com o estímulo que você apresenta.

É o princípio de Hebb, resumido de forma popular: “neurônios que disparam juntos, se conectam juntos.”

Isso não é motivação ou metáfora.
É biologia.

Como as crianças aprendem mais rápido: a janela dos primeiros anos

A janela de oportunidade dos primeiros anos

O cérebro de uma criança pequena está em uma fase de desenvolvimento sem paralelo. Nos primeiros anos de vida, o número de conexões criadas por segundo é exponencialmente maior do que em qualquer outro período da vida humana.

Assim como a velocidade de crescimento do cérebro é assombrosa e cai a cada ano.

Isso não significa que depois dos seis anos é tarde.

Significa que antes dos seis anos é um momento extraordinário, uma janela de oportunidade única que, quando bem aproveitada, pode ter impacto real e mensurável no desenvolvimento cognitivo, da forma como as crianças aprendem.

Essa janela existe para todas as crianças: típicas, com TEA (autismo), com T21 (síndrome de Down), com TDAH, com qualquer outro diagnóstico de transtorno de neurodesenvolvimento.

O diagnóstico descreve um padrão neurológico que aconteceu até aquele momento mas jamais determina um teto.

O que estimula o cérebro infantil de verdade?

Pesquisas em neuroaprendizagem apontam consistentemente para os mesmos elementos, assim você pode aplicar sem medo estes princípios:

Frequência: exposição repetida ao longo do tempo;

Intensidade: estímulos claros, bem definidos, sem ruído excessivo;

Duração: tempo suficiente para o circuito neurológico se consolidar;

Contexto real: informações ligadas a algo que existe no mundo;

Resposta positiva: ambiente emocional seguro e acolhedor.
Como? A mãe sempre que apresentar um conteúdo para a criança, ou ela fizer algo, a mãe deve dar um retorno positivo, dizendo como a criança é inteligente e amada. Assim pode-se construir o melhor ambiente possível para o desenvolvimento do filho.

Não é preciso ser terapeuta para criar esse ambiente. É preciso saber o que fazer — e fazer com consistência.

Como aplicar isso em casa, sem ser especialista

A grande reviravolta que a neurociência trouxe para as famílias é esta, a forma como as crianças aprendem:

o cérebro não aprende melhor em clínica do que em casa.

Na realidade o seu filho aprende melhor onde há afeto, repetição natural e rotina estável.

A mãe, o pai, a avó, ou quem cuida da criança pode se tornar o maior agente de desenvolvimento que existe. Porque a criança só precisa de alguém que acredite nela.

Não porque substitui o terapeuta, mas porque está ali todos os dias, por horas, em contextos que nenhuma sessão clínica consegue replicar.

Três pilares práticos para criar esse ambiente em casa são:

1. Consistência acima de intensidade: Alguns minutos por dia, todos os dias valem mais do que 2 horas uma vez por semana.

2. Estímulo com contexto: a criança aprende melhor quando o que está sendo ensinado tem ligação com o mundo dela, primeiro o ambiente doméstico, real, imagens reais, situações reais, não apenas símbolos abstratos.

3. Repetição com variação: repetir é fundamental, mas variar a forma de apresentação para garantir a novidade e evitar decoreba, multiplica as conexões neurais.

AppBits da Copa — estimulação intelectual com 48 países do mundo inteiro

O AppBits da Copa foi desenvolvido com base exatamente nesses princípios.

É um aplicativo de estimulação cognitiva que usa os 48 países da Copa do Mundo 2026 como conteúdo: bandeiras, capitais, idiomas, continentes, curiosidades. I

Informações reais, com imagens, apresentadas de forma adaptada ao nível de cada criança.

Por que a Copa?

Porque o contexto importa.

O cérebro infantil aprende melhor quando o conteúdo está vivo no mundo ao redor.

Durante a Copa, o filho vai ver bandeiras, uniformes, nomes de países em todo lugar, na televisão, na rua, nas conversas. Esta repetição vai ativar a curiosidade dele.

Ou seja, esse contexto amplifica o aprendizado de forma natural.

Como funciona na prática:

**5 níveis adaptativos:** do bebê de 1 ano à criança já alfabetizada, cada um vai receber um programa de acordo com seu nível de desenvolvimento.

48 países × 6 atributos cada: bandeira, nome, capital, continente, idioma, desempenho na Copa, reunidos de acordo com o grupo e apresentados de acordo com a etapa.

Sessões de menos de 1 minuto por vez: suficiente para criar conexões neurais sem sobrecarga, com tempo para a criança processar a estimulação.

Multi-dispositivo: tablet, computador e TV, porque o tamanho da informação na tela importa. Muitas crianças podem não aprender porque as letras estão muito pequenas.

Acesso por 4 anos, até a próxima copa! frequência e duração para consolidar o aprendizado. Você pode ir completando cada um dos níveis de aprendizado e depois na sequencia subir para o próximo nível. Isso significa que nestes quatro anos seu filho vai aprofundar o nível de conhecimento dele de forma a cada etapa ele entender mais e melhor sobre os 48 países da copa do mundo de 2026.

Funciona para crianças típicas e atípicas, como autismo, síndrome de Down, TDAH, deficiência intelectual, atrasos de linguagem, ou qualquer transtorno.

Todas as crianças podem se beneficiar de estimulação cognitiva estruturada. Pois o tempo de cada estimulação é muito curto. Suficiente para passar a informação sem cansar ou estressar a criança.

Prova real:
Meu filho mais velho, com autismo severo, destravou a fala aprendendo a ler com estimulação por palavras e bits. Porque ele conseguiu sair da limitação? Ele aprendeu a entender melhor o mundo e como consequência o comportamento dele se transformou da água para o vinho

Meu filho mais novo se formou no ITA. Aos 2 anos ele começou os programas fazendo junto com o irmão para estimular seu desenvolvimento.
Não conto isso para impressionar, conto porque sei, na prática, o que acontece quando o cérebro infantil recebe o estímulo certo, na frequência certa, durante tempo suficiente.

Assim como fiz com meus filhos há décadas atrás, já ajudei centenas de famílias a destravar e a multiplicar o potencial de seus filhos.

Oportunidade Relâmpago

A Copa começa em 11 de junho.

Esta oportunidade vai estar disponível para você estimular seu filho apenas durante a copa, isso porque esta janela de oportunidade onde as pessoas vão estar falando muito disso só acontecer por poucas semanas a cada 4 anos.

Então aproveitar este momento para transmitir conteúdo de valor e transformar o desenvolvimento de seu filho em conhecimento e aprendizado para sempre só vai fazer sentido com esta intensidade nestas poucas semanas.

Assim que ele pegar o gosto pelo aprendizado, entender a alegria e o prazer de expandir o conhecimento, você vai estar ampliando e aprofundando o conhecimento dele ao longo dos próximos 4 anos.

Acesso por 4 anos a estes conteúdos dos 48 países até a próxima Copa, por apenas 48.

Só para comparar: um álbum físico da Copa pode custar mais de R$1.000 se é que seu filho vai conseguir completar, fica pronto depois que o mundial termina, e rapidamente vai para a gaveta.

O AppBits da Copa fica ativo, em uso, desenvolvendo o cérebro do seu filho durante os próximos 4 anos. Assim você vai aproveitar este momento para começar a construir um conhecimento que pode sem multiplicado nos próximos anos!

Você pode conhecer mais sobre o App Bits da Copa em https://neuroganho.com.br/appbits/appbits-da-copa.html

Perguntas frequentes

O AppBits funciona para crianças com TEA?
Sim. Foi desenvolvido a partir de anos de aplicação com crianças no espectro autista.
Porque o formato visual, junto com a repetição estruturada e a adaptação por nível atendem especialmente bem ao perfil de aprendizagem de crianças com autismo.

Funciona para crianças com síndrome de Down?
Sim. Crianças com T21 têm enorme capacidade de aprendizagem quando estimuladas com frequência e contexto. Para que isso aconteça, basta seguir as instruções. O AppBits já foi usado com sucesso por famílias no programa Neuroganho com crianças com síndrome de Down de diversas idades.

Qual a idade ideal para começar?
A partir de 1 ano. O nível 1 foi desenhado para bebês. Quanto mais cedo, mais o cérebro aproveita a janela de neuroplasticidade intensa dos primeiros anos.

Precisa de muito tempo por dia?
Não. pelo menos 3 Sessões de menos de 1 minuto por dia são suficientes.
Porque o que importa é a consistência — todos os dias, não horas por semana.

Meu filho não fala ainda. Faz sentido usar o AppBits?
Sim. O aprendizado acontece antes da fala. Crianças não-verbais processam e armazenam informações, e muitas vezes demonstram esse conhecimento assim que a comunicação se desenvolve. Estimular agora é investir no potencial que já está sendo construído.

O que acontece depois da Copa?
O acesso continua por 4 anos. Até a Copa de 2030, seu filho terá o conteúdo disponível para revisitar e aprofundar quantas vezes quiser. Se você quiser continuar esta jornada, fique tranquila porque: para famílias que quiserem continuar, haverá o AppBits Mundo.
Mais conteúdos sobre países do mundo todo, além dos países da Copa.
E muitos outros conteúdos sob demanda.

Como acessar o app?
É um aplicativo web. Funciona em qualquer navegador: tablet, computador ou Smart TV. Não precisa instalar nada, e sugerimos que quanto maior a tela, melhor.

Antes de encerrar

Se você chegou até aqui, é porque se preocupa com o desenvolvimento do seu filho. Isso já é o começo do que a neurociência chama de **ambiente estimulante**.
Ente tipo de ambiente é um lugar onde a criança tem uma pessoa que acredita nela e age com base nessa crença.

A ciência confirmou o que mães guerreiras já sabiam: **o potencial está lá. O que falta, às vezes, é a ferramenta certa.**

O AppBits da Copa é essa ferramenta por 48, pelo preço de um brinquedo que vai esquecido num canto, conhecimento progressivo para seu filho até a próxima copa.

Crise no autismo ou seria uma birra?

Imagem de folhas de araucária queimando, com chamas e pedaços do tronco exposto, representando como fica internamente uma crise no autismo.

A crise no autismo é sinal de que sua criança está inflamada e desregulada e você vai entender porquê.

Por dentro ele está inflamado, queimando. Assistir a isso causa uma dor, uma sensação de impotência, uma vontade de puxar-lo para fora daquela situação, mas esta é a grande diferença entre uma birra e uma crise.

Existe algo mais que tira o chão dos pais do que uma crise? Há algo que se possa fazer durante uma crise no autismo?

Presenciar uma crise de um autista é como passar um trator por cima da pessoa. Uma crise de uma pessoa com autismo, quando acontece com alguém tão querido e próximo como um filho ou filha é absolutamente devastador. Assistir uma crise no autismo e não saber como ajudar é de um sofrimento indescritível. Abaixo vou te apresentar a minha perspectiva.

Segredos escondidos em uma crise no autismo

Um dos grandes problemas das crises, é a tempestade de substâncias que são secretadas no sangue, que ficam circulando depois e podem ser facilitadores para uma nova crise justamente porque o corpo literalmente “inflamado e irritado” gerando um ciclo vicioso de novas crises em sequencia que vão ser gatilhos para novas crises. Um ciclo vicioso.

As crises liberam além de cortisol, que é o hormônio do estresse, liberam também citocinas inflamatórias, uma tempestade delas. Isso combinado com a reduzida capacidade de detox encontrada frequentemente nos autistas, mantém estas toxinas e hormônios secretados circulando e então, adivinha o que acontece? Mais crise no autismo! Porquê?

Porque inflamação gera irritação!

Porque inflamação gera irritação que desregula e destempera a criança no sentido dela perder a temperança. Ela queima por dentro e então ela explode por fora. Não é objetivo nesta postagem aprofundar em conteúdos técnicos de especialidades médicas, mas a neuro inflamação merece um post completo. Assim vou abordar a questão da crise no autismo pela visão de pais, como eles podem atuar e agir de forma a quebrar este círculo vicioso e ir para um virtuoso.

Apenas gostaria de alertar que este círculo vicioso é extremamente extenuante para a criança e também para a família. Infelizmente, quando a família alcança um ponto de esgotamento, muitas crianças com crises são encaminhadas para a psiquiatria e recebem medicações que ainda não são aprovadas para uso em crianças. Os médicos, sabendo do malefício que as crises causam no corpo destas crianças estão querendo, com a maior boa intenção auxiliar aqueles que lhe chegam. Mas estes profissionais maravilhosos não fazem milagres. Não existe uma pílula mágica para acabar com o autismo e deixar a criança típica novamente. Não existe uma pílula mágica para acabar com as crises. Eles são humanos e com os recursos limitados que tem, fazem o melhor que podem. Os médicos tem todo o meu respeito e consideração.

Dessa forma, trago aqui a minha experiência pessoal de crises no autismo e outras mais com a intenção de expandir os horizontes.

Minha experiência com crises

Um pouco da minha experiência: Eu cresci assistindo crises epiléticas. Não estou aqui querendo comparar uma crise do autismo com uma crise epilética, eles são diferentes em muitos aspectos e similares em outros. Só peço que continue a leitura para entender a minha experiência e depois me conte nos comentários se foi útil para você.

Meu irmão caçula, apenas 10 meses mais novo que eu tinha epilepsia refratária. Na época eu não entendia o que isso queria dizer, mas ele passava muito tempo comigo já que éramos só nós dois e eu pude presenciar centenas de crises. Epilepsia refratária é uma epilepsia de difícil controle, como era a do meu irmãozinho. Nos anos 70 do século XX, não haviam muitas medicações para as crises, então meus pais pediam a amigos e parentes que viajavam ao exterior para trazerem medicações que aparentemente estavam fazendo sucesso lá fora. Sempre com indicação médica. Ele tomava 2, 3, 5 medicações diferentes por dia e as crises continuavam. Então eu estava lá, ao lado dele, assistindo tudo aquilo e tentando fazer algo para ajudar.

As crises tem padrões?

Eu observava alguns padrões sutis nas crises dele. Sempre antes de uma crise a expressão dele mudava. Eu passava muito tempo com ele e assim, só de olhar para ele eu já sabia que estava vindo uma crise. E sim, eu acertava, instantes depois eu já estava assistindo mais uma delas. Nestes momentos uma explosão de impotência acontecia dentro de mim! Meu querido irmãozinho caçula ali estava, tendo aquela reação na minha frente e eu nada podia fazer. O terror de assistir aquilo frequentemente foi me chamando a atenção para o que acontecia antes. Como eu poderia evitar que aquilo acontecesse novamente?

E fui vendo que, com uma frequência muito grande, haviam situações que ele tinha dificuldade de lidar e que lembravam uma situação anterior que ele também teve dificuldade de lidar e ele acabou tendo uma crise. Era como se o cérebro dele fechasse curto-circuito para apagar uma situação ou emoção que ele não tinha conseguido lidar e cada vez que uma situação despertava uma emoção parecida, aquela lembrança era acionada e o cérebro fechava um curto-circuito.

Desta forma eu via que antes das crises, uma situação de não ser entendido, não ser atendido, ser contrariado, ou uma sobrecarga sensorial estava presente. Isso foi me ajudando a conversar com ele, distrair meu irmãozinho daquela situação ia ajudando a ter menos crises dele para assistir.

As crises no autismo

Voltando para o presente, eu pude observar também que nas crises no autismo de meu filho acontecia algo parecido. Antes de uma crise, sempre havia um episódio dele não se comunicar, não se sentir entendido, a sensação de que iria reviver uma experiência ruim ou uma sobrecarga emocional eram o gatilho que faziam uma crise acontecer. Isso foi apurando o meu olhar de forma que desenvolvi estratégias para que ele não entrasse em crise.

Abrindo um parênteses aqui: o eletroencefalograma / mapeamento cerebral de meu filho desde pequeno apresentava moderados sinais disfuncionais, inespecíficos, difusos; como os sinais encontrados no mapeamento de crianças que tem convulsões. Felizmente, meu filho nunca chegou a ter uma convulsão, graças à forma que eu observava e abordava as prévias de suas crises.

Assim, esclarecidos estes pontos, vamos ao assunto dessa postagem: Crises no autismo ou seria uma birra?

Uma birra passa!

Uma birra passa quando a criança recebe o que quer. Tende a acontecer quando a criança ou jovem se sente contrariada e assim usa deste artifício como uma criança típica também faz. As crianças até uma certa idade tendem a ter este comportamento egocêntrico e a birra é uma forma de mostrar que não está satisfeita com uma situação ou condição, e, na falta de melhores argumentos, então usa esta estratégia para obter o que deseja.

Uma crise no autismo não passa.

Nada que os pais, família, pessoas próximas façam ajuda a passar. Existe uma tempestade de bioquímicos sendo liberados no sangue que tendem a permanecer e a facilitar acontecer uma nova crise na sequencia.

Durante a crise no autismo, com uma grande dor vemos que a criança ou jovem mesmo que receba o que desencadeou a crise não consegue parar. Algo escapa de seu controle. Existe a liberação de diversos compostos no sangue que fazem aquela condição perdurar.

Uma crise dá sinais

Um observador mais atento pode perceber mudanças na fisionomia da criança antes que uma crise exploda. Pode ajudar neste momento pedir ajuda da criança, explicar que está percebendo que algo a está incomodando, que algo está acontecendo. Pedir para ela para explicar melhor!

Meu filho não é verbal, como controlo suas crises no autismo?

Assim como meu filho antes de começar os programas de organização neurológica (várias atividades que fazem com que o cérebro da criança retomem o desenvolvimento típico) também não era verbal, se sua criança não for verbal, existem formas de abordar sua criança de forma que ela consiga se expressar em um momento pré crise.

Antes da crise em si acontecer, sua criança será capaz de se comunicar com você mesmo ela não sendo verbal. Você sabe que ela está com frio, com sede ou com fome, mesmo ela não falando, certo? Então você vai desenvolver algumas novas formas de se comunicar, recursos da comunicação alternativa para que sua criança comunique com você a necessidade dela naquele momento.

Uma das formas que usamos (até que a criança desenvolva a fala), é fazer uma pergunta e apresentar para ela duas palavras sim e não, para que ela possa escolher entre elas, e continuar perguntando de forma que ela escolha entre o sim e o não até que você consiga entender o que ela está querendo.

O programa de Leitura é uma excelente ferramenta para isso, pois está associado a momentos de descontração e prazer para a criança e pode dar um conforto para elas ao verem uma palavra conhecida e que pode ser usada nessa ocasião para explicar o que a criança quer.

Meu filho tem ecolalia, como eu faço?

Para crianças já verbais, pode ficar mais confuso pedir para a criança falar, as crianças com ecolalia tendem a falar assuntos específicos e não responder perguntas diretas. Para elas, você pode também tentar o recurso do sim e do não até chegar onde a criança quer. Elas vão tender a fugir do assunto que a está incomodando? Sim, vão, este assunto, tema ou situação realmente as incomoda e ela vai tentar escapulir. Se for este o caso, vá conversando, perguntando rodeando até conseguir.

O que faço durante a crise?

Ajude-o a respirar! Respirar, oxigenar o corpo faz um benefício extraordinário. Um dos programas que temos para ajudar na organização é respiração.

O outro é oferecer um copo de água. Ao engolir a água ela precisa organizar a respiração para não engasgar, vai ajudar com a primeira dica acima.

Algo a fazer fora da crise?

No mais, invista em recursos que vão ajudar o desenvolvimento a acontecer. Quando o desenvolvimento acontece, as crises naturalmente vão se espaçando mais.

Conheça o curso O Caminho da organização neurológica! Você vai ter acesso a práticas e conteúdos que há décadas vem trazendo resultados no desenvolvimento das crianças.

O curso tem um módulo exclusivo Crescimento Social, com 10 recursos práticos para gradualmente ir entendendo melhor sua criança e consequentemente fazer com que ela se comunique melhor, entenda o ambiente, e saiba se comportar.

Antes de terminar quero te explicar a foto desta publicação: durante uma crise, a sua criança ou seu jovem está assim por dentro: inflamado, queimando descontroladamente. Salve esta imagem em sua mente e se lembre dela quando vir uma criança autista tendo uma crise.

Atenção: Este é um texto de opinião e experiência sobre crises no autismo. NÃO substitui aconselhamento médico, terapêutico ou de profissional da saúde. NÃO se destina a substituir o aconselhamento, o diagnóstico ou o tratamento médico e nutricional. Sempre procure a orientação do seu médico, terapeuta ou nutricionista com quaisquer perguntas que você possa ter sobre uma condição médica ou nutricional, respectivamente.