
É isso mesmo que você leu no título deste post. Este texto nasceu para explicar o autismo para os pais de um jeito que eles entendam de primeira.
Por favor, não é nenhum preconceito contra mães (sou uma delas), mesmo porque elas se tornam rapidamente experts neste assunto. A maioria provavelmente já sabe o que vai ser dito aqui.
Explicar o autismo para os pais é um pouco diferente de explicar para as mães. Principalmente porque, usando a experiência deles com video-games, pode ficar bem mais fácil.
O super videogame na feira de games
Então pais, pensem na sua experiência jogando em uma feira de games.
Você experimentou um super lançamento e a experiência foi incrível. Você e aquele super video-game, top! Aqueles com a melhor resolução de tela, com um super joystick.
Você sente que não vai ter para ninguém, né? Só vai dar você nos jogos online, certo?
Você jogou na feira e foi demais. Treinou sozinho e foi um sucesso!
Quando a conexão cai para menos de 100kbps
Aí imagina que você está pronto para este desafio. Marcou com os amigos e entrou online na hora marcada.
Só que a sua conexão está menos de 100kbps. Acontece o seguinte:
- Você empurra o joystick e nada acontece.
- Os sons da partida chegam distorcidos e você não consegue entender o que os outros jogadores estão falando.
- Quando seu avatar finalmente consegue andar, ele sai esbarrando nos outros.
- Ou você vê que todos foram embora e te deixaram para trás.
Seu console é ótimo, e também seu Joystick. Mas não sua conexão.
É exatamente isso que acontece com as crianças autistas
A conexão delas com o ambiente externo é diferente, distorcida.
Os neurotípicos entendem melhor o meio externo justamente porque suas conexões estão intactas.
Já os autistas, portadores de TEA, TDA e TDAH, tem suas conexões comprometidas. Só as conexões.
Vale reforçar o que está intacto neles:
- Todo o equipamento é ótimo, de última geração.
- Eles tem SNC, SNP, tudo, como os neurotípicos.
- Mesmo assim, as coisas não funcionam aparentemente como deveriam.
Existe remédio que arrume esta conexão?
Com todo o respeito à nossa avançada medicina, não conheço medicamentos que possam “arrumar” esta conexão.
Os medicamentos que existem fazem o efeito contrário em adultos. E seu uso em crianças não foi estudado o suficiente para dar segurança de uso, pelo menos para mim.
O que acontece se dermos estas medicações aos neurotípicos? Eles ficam melhor?
Então como achar que os que estão no espectro vão melhorar?
O que os programas de retirada de medicação resolvem — e o que não resolvem
Alguns programas que mostram bons resultados começam retirando, desmamando o autista deste tipo de medicação. Os resultados geralmente são bons.
Mas os problemas de base, que os levaram à este tipo de tratamento, continuam. Porque a causa não foi resolvida, apenas suprimida.
Ao tirar as medicações, os problemas dos efeitos colaterais das medicações passam. Mas não os sintomas de TEA.
Estresse oxidativo e neuroinflamação: o nome técnico do “cérebro inflamado”
Durante muito tempo eu chamei essa etapa de “desintoxicar e desinflamar o cérebro”. É uma imagem que as famílias entendem de primeira. Mas a palavra certa importa aqui, e explico por quê.
“Detox”, no mundo do autismo, virou bandeira de protocolos perigosos como quelação e dióxido de cloro. Não é disso que eu falo. O que a ciência descreve tem dois nomes:
- Estresse oxidativo: uma meta-análise de 87 estudos, com 9.109 crianças, confirmou alterações consistentes nos marcadores de estresse oxidativo de crianças no espectro.
- Neuroinflamação: exames post-mortem encontraram micróglia e astrócitos ativados na amígdala, no cerebelo e no córtex frontal de pessoas com TEA.
Ou seja: aquela conexão instável do joystick não é só uma metáfora bonita. Ela tem correlato bioquímico.
Por onde a inflamação chega ao cérebro
É aqui que entra o intestino. A literatura chama de eixo intestino-cérebro.
Quando a barreira intestinal está comprometida — a chamada hiperpermeabilidade — moléculas que deveriam ficar de fora entram na circulação e disparam citocinas pró-inflamatórias. Elas chegam ao cérebro.
Por isso, na prática, o que eu faço com as famílias é:
- Ajustar a alimentação.
- Reduzir a exposição a produtos tóxicos do dia a dia que alimentam esse processo inflamatório.
- Tratar a hiperpermeabilidade intestinal.
Então, do meu ponto de vista, ajustar a alimentação com os objetivos acima, junto das estimulações sensoriais, atividades físicas e estímulos cognitivos pode oferecer resultados que ajudam a potenciar os resultados das terapias.
Preciso ser honesta em um ponto. As pesquisas mostram com clareza que o estresse oxidativo e a neuroinflamação estão presentes no TEA. Elas ainda não provaram que reduzi-los cura ou trata o transtorno. O que eu digo aqui é a minha observação clínica de anos acompanhando essas crianças, não uma promessa de laboratório.
Vamos aprofundar este assunto em breve.
Quer saber mais sobre como um programa exclusivo para seu filho com esta abordagem pode ajudar a acelerar os resultados das terapias? Venha conhecer a Mentoria Premium da Neuroganho:
Organização neurológica e neuroplasticidade
Depois disso feito, entra o programa de organização neurológica. É ele que pode oferecer os seus melhores resultados:
- Criar novas conexões entre neurônios e circuitos.
- Usar os princípios da Neuroplasticidade para melhorar a comunicação com o meio.
- Trazer maior qualidade de vida para os portadores de TEA e seus familiares.
Falaremos mais sobre este programa nos próximos posts.
Grata por seu interesse. Se você gostou, por favor, compartilhe para que mais pessoas possam ter acesso às informações que podem fazer diferença na vida de alguém!


Muito esclarecedor! !!!!
Grata Claudirene!
Excelente explicação. Obrigado!
Grata Cristiano!